terça-feira, 27 de outubro de 2009






































este poema foi construído com versos de outros poemas:


sem a carne, a poesia míngua
- em míngua, a poesia


vinda da noite virada do avesso, tornada dia.- em o cheiro do mar me invadia e me embriagava

mordo o pensamento - em no azul, desfruto

[do intermédio entre o gesto e o pouso]- em entre o gesto e o pouso

o afeto agreste, sem resumo possível - em ermos não sucumbem

desprendendo-se das raízes - em futuro do pretérito, no presente









imagem: Pnina Evental

arte digital: soreg




sábado, 24 de outubro de 2009

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

imagem: sue anna joe - arte digital: soreg

 
 
 
 
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2009



o pouso da libélula



sonia regina



não há uma maneira de olhar as folhas em dia nublado.
o sol não as rompe ou anima. ilumina-as
e o verde resplandecente não lhe é resposta


o que pode pretender minha escrita senão mencionar
o recorte verde no cinza?


a luz atravessa as nuvens e se realiza.
as folhas mexem-se com a brisa esquiva,
a claridade balança


há um vigor silencioso na inércia do rio
e a ausência de som não é desprovida de sentido


a aridez da escrita se desordena
com o pouso da libélula
e expulsa a banalidade


corto as idéias e espreito os versos, surpreendida
na maneira de olhar as folhas em dia nublado.


[23.10.09]




imagem: River Silence, by Valentyn Odnovyun




domingo, 18 de outubro de 2009



















 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 16 de outubro de 2009






 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

prenúncio

sonia regina
 

foto by Bryce Johnson
 
 
 
 

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Gripe Porcina

Sonia Regina






















Foto: Janusz Taras




Aos amigos cujas almas caminharão juntas, sempre




Um lugar desconfortável, a sensatez


O ouvido latejava. Isso incomodava e aliviava. Incomodava o corpo, aliviava a mente - ultimamente pressionada pela Gripe Porcina. “Mas o vírus ataca os pulmões e não os ouvidos”, pensou.
Gostava de chamar assim, em castelhano, àquela gripe provocada pelo vírus influenza. Ademais, verificara no dicionário e havia a palavra em português. Um apelido no Brasil, um nome em outros tantos países. Uma realidade mundial. Era difícil se manter sensata entre alarmistas e negligentes, mas ela o fazia. E este era um lugar desconfortável para Maria José: a sensatez.




A justiça sob o signo de Libra


Sempre fora sensata e por vezes se cansava. Desejaria ser um pouco inconseqüente, poder se deixar levar - ao menos em algumas situações - pelos impulsos.
No trabalho era convocada pela chefia a opinar sobre algumas questões. Atendia por solidariedade, mas desagradada: odiava julgamentos.
- Maria, vem cá um minuto – interfonara o chefe.
- Olá, bom dia! Que céu, hein? Um azul de inverno!
- Senta aí.
Maria José sentou-se, quieta. A expressão do chefe era grave.
- Você sabe que não gosto de fazer diferenças. Para isso existem as regras, bastaria cumpri-las. Mas é exatamente porque existem as regras que existem os chefes: para intervir nas situações que saem da risca.
- Hãhã – anuiu Maria José, pensando que mais uma vez seu amigo libriano estava envolvido em dilemas causados pelo extremo senso de justiça.


(...)


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sábado, 3 de outubro de 2009

anjos






 
 
 












Asteriscos 4


























num movimento imperceptível o tempo pisca certezas. 

sonia regina. Em território e cenário


Imagem: Guarda 






sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Asteriscos 3









crio veludos em um canto, bem no ventre da minha pedra favorita e cortesã.


sonia regina


[Em Abraço]








gruta azul - Arraial do Cabo - RJ
foto by Felipe Desterro -  L!P3_RJ




Olimpíadas 2016: clipe 2 da apresentação da candidatura do Rio


Olimpíadas 2016: clipe 1 da apresentação da candidatura do Rio


Assinatura

Sonia Regina








Imagem: Abdul Kadir Audah



Do lado de fora ou de dentro do tempo a chuva não corrige déficits ou excessos
Molha, lava, escorre nas horas que se misturam às teclas, na impressora que recusa o verbo que remete a códigos e mantém a poesia submetida a normas
Não quero para o poema um corpo modelado por um espartilho de representações
Não quero que as palavras sejam instrumentos ortopédicos e ortopráxicos

Porque o meu poema não se alimenta da tradição vendida nas esquinas de nutrição desavisada que forma e identifica
Porque o meu poema não retrata o vivo, o morto, a alma, o corpo, nem padece de regulações
Porque o meu poema é imponderável e inexato, é inesperado e transita com extravagância na previsibilidade, foge do intelecto
Porque o meu poema tem uma cadência própria, sensível arritmia, balanço imperscrutável
Porque o meu poema é inflexível no contraponto à harmonia que enlouquece, às sílabas que se apagam e iluminam nos sussurros (o meu poema sopra e murmura)
Porque o meu poema bebe no paradoxo da letra a dúvida e a convicção
Porque o meu poema come na dialética a contradição entre a luz e a sombra
Porque o meu poema não se enquadra, não se sujeita a normas amigas, fraternas, maternais, que regulam e moldam os versos selecionados por modelos de significados que igualam os corpos que caminham por esquemas disciplinados
Porque o meu poema continua inconformado e inquieto, é irreverente, insolente, desobediente a leis que o façam dizer o código que unifica os corpos confinados em um tônus que formata trilhas

Meu poema tem uma habitação

O corpo que não quer acrescentar ao que falta - complementa
O corpo que busca o que não foi escrito, refeito, cultivado
O corpo na fronteira extrema da palavra
O corpo que fura a simbólica como uma onda do mar
O corpo que é chão, rés, solo, território sem terra, ar, água, fogo, concreto ou mitos
O corpo que é cenário de vocábulos desvirados, significados desditos

Meu poema mora na pele, na carne, no sangue, nas entranhas, na ausência de cor, som, tempo, espaço
Meu poema reside no espanto, no assombro, no impacto, na emoção, na exaltação dos sentidos
Meu poema transpira, respira, é o grito que escapa e dá voz
Ao mistério, ao secreto, ao privado, ao íntimo
Ao outro que com ele irrompe no fascínio
Ao que é sua diferença e similitude, anima, paixão, loucura e drama
Ao que é vigor, ternura, clima

Ao brado que afirma
e com ele assina

meu poema é firma.


[04.12.05]
 

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