sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Lia Luft

 

 


 

"se a gente começar a desmitificar algumas dessas imagens internalizadas, começaremos a ser mais sensatamente felizes. Ou, dizendo melhor: capazes de alegria com aquilo que temos e com o que podemos fazer numa vida produtiva, porque real. " Lia Luft




imagem: Bill Wingell

 

terça-feira, 25 de agosto de 2009

 

 

 

 



























a metamorfose
sonia regina




o frio tateia a memória, vasculha a nostalgia e o temor.
das palavras que se precipitam é difícil arrancar poesia:
estão demasiado usadas.
o novo assimila a lentidão da ternura
e a pausa é um bom esconderijo para a criação.
há na quietude límbica um alento:
o deleite com as cores, sons e sensações.
o deslocamento dos pequenos cercos reaviva delicadezas
e libera imagens.
murmúrios pouco audíveis dizem da nutrição.


a metamorfose é um momento de alegria nos percursos.




[23.8.09]

 

 

domingo, 23 de agosto de 2009

Maria Gabriela Llansol


 

 



 


«Eu olhava por olhar, quero dizer – intensamente.»«O que sulca o ar é o desconhecido, privado do poder de fazer mal.»«Estou atenta às mutações da luz _________ como se fossem pérolas. Abriu, desce, muda, nunca se oculta mudando de lugar, pois sigo a sua trajectória de planta a planta. Cada planta está aqui no seu lugar exacto, na sua flor exacta – e bebe água exactamente.»«______ esse mundo alinhado que está por detrás da beleza – perturba-me infinitamente...»«Uma mão escrevendo é como a árvore dourada que vimos ontem à beira da estrada...»«Decorrido o fluxo da noite – e já amanhece – sinto com a mão a madressilva que plantei junto ao muro exterior da casa, e que mil vezes há-de morrer sem que, de facto, morra, enquanto estas páginas forem vivas...»«O meu corpo conflui de lugares longínquos...»

 
Cadernos manuscritos de 1995 e 1998 (fragmentos)

 


 


 

"_____________________________ o irritante traço contínuo.

É apenas uma dobra e um baraço. O texto dobra, efeito de colagem. O texto suspende o sentido, à espera de dizer exacto. Há frases que só completei anos depois; há frases que, no limiar dos mundos, não devem ser escritas por inteiro; há frases cujo referente de sentido será sempre obscuro. Se eu pretendesse escrever um texto sempre limpo - tiraria o traço. Onde não soubesse, nada escreveria. Mas como iria saber que ali não soube, ou nem sequer me pertencia saber? O texto é limpo, e por passajar. Onde o traço é apagado, vê-se claramente o raspar da borracha. Deixar o traçado."



Llansol, Inquérito às Quatro Confidências, p. 75

 

terça-feira, 18 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Aos Leitores (seguidores)









Não percebi porque o blogger marcou no painel os meus últimos posts todos com a mesma data. Uma enxurrada...errada. Reconfigurei os meus 3 blogs para mostrarem as datas verdadeiras das postagens.
Grata pelo acompanhamento. Saudações cariocas!



quinta-feira, 13 de agosto de 2009



Como rasurar a paisagem

Ana Cristina Cesar


a fotografia é um tempo morto
fictício retorno à simetria
secreto desejo do poema
censura impossível
do poeta




segunda-feira, 10 de agosto de 2009




Clarice Lispector. Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro:Editora Rocco



"Aí estava o mar, a mais ininteligível das existências não-humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava sangue. Ela e o mar.
Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões..."






Luís Miguel Nava - Portugal





domingo, 9 de agosto de 2009




Clarice Lispector . Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999


"Não me lembro mais onde foi o começo, foi por assim dizer escrito todo ao mesmo tempo. Tudo estava ali, ou devia estar, como no espaço-temporal de um piano aberto, nas teclas simultâneas do piano. Escrevi procurando com muita atenção o que se estava organizando em mim e que só depois da quinta paciente cópia é que passei a perceber. Meu receio era de que, por impaciência com a lentidão que tenho em me compreender, eu estivesse apressando antes da hora um sentido. Tinha a impressão de que, mais tempo eu me desse, e a história diria sem convulsão o que ela precisava dizer. Cada vez mais acho tudo uma questão de paciência, de amor criando paciência, de paciência criando amor."




sábado, 8 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009







Leia o conto aqui


foto: Aleksandar Vasic
arte digital: Soreg



 

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