quinta-feira, 30 de abril de 2009







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arte digital: soreg

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fotos de Rarindra Prakarsa













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Imagem: Frederick Dunn

Arte Digital: Soreg


domingo, 26 de abril de 2009

 


 


 





No soar da gaita (trecho)

Sonia Regina



Uma busca infrutífera o levara àquele momento do passado. Procura fadada ao fracasso, embora tudo estivesse ao seu alcance. Teria bastado mirar-se – isento - com atenção plena. Veria mais que reflexos.

Então, aconteceu-lhe um sorriso. Percebeu que já não sentia o frio insuportável nos ossos, acirrando-lhe o desânimo. Levantou-se e seguiu pedalando no soar da gaita, em direção ao sol.



Ler na íntegra


Imagem: Taci Yuksel


 

 


 


 








Diário IV, 1979

Miguel Torga


«O que eu fui sempre, o que eu sou, e o que eu serei, é um artista, um homem e um revolucionário. Na medida em que sou artista, quero um mundo onde a beleza seja o vértice da pirâmide. Na medida em que sou homem, quero que nesse mundo os indivíduos sejam livres e conscientes. E na medida em que sou revolucionário, quero que a revolução traga à tona as grandes massas, e que nunca acabe de percorrer o seu caminho perpétuo, sem estratificações e sem dogmas.»



Prefácio à edição espanhola de «A Criação do Mundo»


Imagem: Flávio Varricchio


 

sexta-feira, 24 de abril de 2009

 


 


 











“Tal como sou acompanhada pelos lagos - águas adormecidas naturais e duráveis -, de igual modo deve fazer parte da sombra, que se desloca comigo, inscrever os dias estendidos por longo período de tempo.”




LLANSOL. Maria Gabriela. Um falcão no punho. Ed. Rolim.
Lisboa:1985, p.7.

Imagem: Drika Landim




 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

 


 


 



ligaduras

sonia regina



por ordem das entranhas rompeu-se
a realidade recoberta de noite
e os ossos se desligaram sem ruído

a pele fina reteve o sangue e os ligamentos
abatidos. pedras crisparam-se lancinadas

quilômetros rodaram e saíram pela alvorada
ao invés de ais e gritos. afetos desossados
enterraram-se na complacência do espelho

pesadelos são emoções espetadas no tempo;
sonhos possíveis, só com a carne em júbilo.



22.4.09

Imagem: Peter Cagala

 

terça-feira, 21 de abril de 2009

 


 


 






O tímpano e a pupila

Luís Miguel Nava




Num dos pratos o mar, no outro um rio, agora
que o tempo se desossa,
que as pedras
que piso se me enterram na memória e os caminhos
se me aguçam na alma como lâminas, o pão
molhado nas feridas,
o pão
ele próprio já também uma ferida, agora

que o tempo, que já tanto
compararam a um rio, mais
não é do que uma leve exsudação nos muros,
nas mãos, agora

que o céu se encrespa e que pedaços
de mundo arremessados
com toda a força aos olhos revolteiam
na treva antes de se extinguirem,

mais magro do que a neve
caminho, a alma aberta como uma ferida,
ao longo da memória, onde se fundem
o tímpano e a pupila.

 

domingo, 19 de abril de 2009

 


 


 






para além das finitudes

sonia regina




passeei só
fui o espelho do cosmos
entrei no labirinto
vi jardins ocultos

meu coração moveu-se.
olhei-te, pronta

a voz com maior amplitude expandiu-se

“o véu da noite caiu”, disse-me a vigília da pele,
ao reconhecer o dia para além das finitudes.

18.4.09



imagem: Geoffroy Demarquet


 







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arte digital: soreg


segunda-feira, 13 de abril de 2009

 


 


 





Antoine Tshitungu Kongolo, Congo




 


 





 
imagem: Hamad AL Naemi


arte digital: soreg






 

domingo, 12 de abril de 2009








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imagem: sofia avdeeva
arte digital: soreg

sexta-feira, 10 de abril de 2009

 


 


 






leva-me para além da têmpera




desloco-me muito sem sair do papel
que nutre de luz meu ser selvagem,
como a areia ao sol do meio-dia

entre os braços abertos sou tudo o que vi a mais

nenhuma máscara de sépia restou
logros em preto e branco são impossíveis
a morte deixou os pergaminhos para as aquarelas

vou sendo cortejada pela vida, contigo ao lado

com nanquim e água tu me desenhas colorido
e me levas, material úmido, para além da têmpera

a metamorfose acirra o ânimo dos meus versos
dilatados. a restauração torna-se possível.



sonia regina

10.4.09


imagem: Vinicius Kran


 

 


 


 






sem um quê de azul


a pepsi twist anestesia a língua
o limão não amarga
sem um quê de azul pinga no papel

a escrita desliza veloz
arrasta sílabas
transfere os fatos para as laudas

entre as margens o intervalo é austero
nos espaços exige silêncio
abole representações, desloca idéias

na travessia do pensamento
lembranças soltas correm pela página
com ímpeto, entre o sólido e o líquido

o movimento enérgico
dá à reminiscência
uma possibilidade figurativa

a mão se curva com delicadeza
à reescritura severa do ciclo
que não tinha se extinguido

e um mesmo volta
novo, diferente
do retorno ao princípio.


sonia regina

10.4.09

 

 


 


 









 

 

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