segunda-feira, 23 de novembro de 2009

2009-2020-2009, passando por 1640

 Sonia Regina


fotos de Felipe Fittipaldi




















Nasci e moro na "cidade mais feliz do mundo". Assim disse a revista americana "Forbes" em 02.9.09.

Não satisfeitos com isso, meus pais fixaram residência no bairro mais democrático e movimentado da cidade. Parece que todos moram aqui, não há como não encontrar um conhecido numa esquina qualquer – a qualquer hora. As avenidas principais parecem ser o grande quintal de todos nós, moradores.


Descer pelo elevador é simples, embora more num prédio que é metade comercial. A gente acaba se acostumando com o esquisito tom que carrega: em uma mesma viagem leva pessoas arrumadas ao médico ou ao dentista, carrinhos de feira e seus donos vestidos modestamente, corpos quase nus em busca de boas marés.

Ônibus que vêm dos subúrbios trazem banhistas que desconhecem nossa história e dela prescindem para se divertir. As águas salgadas curvam-se a eles, numa acolhida generosa.

Gosto de caminhar por lá. Nunca da mesma forma o dia amanhece, mas sempre gentis são os pescadores do posto 6, exibindo seus pescados ainda nas embarcações. A claridade chega aos poucos às escamas e elas brilham intensamente. Sinto-me numa cidade do interior. 




Ler na íntegra aqui




 

sábado, 21 de novembro de 2009








fluxos mutantes

sonia regina



inscrevo a delicadeza no pátio
e levo a doçura para passear.
deixo-a na praça cheia
com limites e intersecções
como um conceito velho de vanguarda.
nos fluxos mutantes não pergunto quem sou
para além do visível e perecível.
do ensaio ao amplo espectro, estou sendo.
e isso basta.



[21.11.09]


imagem: Kaushik Chatterjee









quarta-feira, 4 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pot-pourri s/n
































pot-pourri é uma construção poética realizada com poemas meus: seus versos são extraídos de outros. Este foi assim construído:


verso 1. extraído do poema um olhar enviesado pode ser doce

verso 2. extraído do poema as águas novas


verso 3. extraído do poema como criança sem compostura

verso 4. extraído do poema como uma oração na carne


verso 5. extraído do poema nem sempre há versos à tona

verso 6. extraído do poema interstício







domingo, 1 de novembro de 2009





imagem: hassan farahani




sem pormenores de estrelas     [pot-pourri 5.    31.10.09]


sonia regina


albergados, nessa chuva que cai em hiatos,
momentos graves [e nem por isso menos doces]
sem pormenores de estrelas


enxergar é ver além daquilo que se mostra.










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o poema acima teve seus 4 versos extraídos de outros 4 poemas:


verso 1. extraído do poema
hiatos e instantes de areia
verso 2. extraído do poema esboço
verso 3. extraído do poema sem asas nas manhãs diversas
verso 4. extraído do poema sem razão






 

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