segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mario Quintana - Eu queria trazer-te uns versos muito lindos








Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou! 

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

afluentes

 


estar no azul é simples:
uma questão de foco.
diz da intensidade, da limpidez
dos bancos em que nos sentamos

bebo o teu olhar nas águas livres

e quando teu pulso me segura firme
no caminhar
sou singeleza

desdobrada e sem vincos.



sonia regina
15.9.09



imagem: Ricardo Maximo Lopez  D'Angelo

terça-feira, 15 de setembro de 2009

despertas

 




uma mansão de cenário, uma poesia deserta.

despertas.

silenciosas, mantêm-se acesas no movimento
as letras que provocam, contraem, se abandonam.

Vês com estão entregues às sílabas?
pretendem se realizar no segredo de novos idiomas.


sonia regina, 18.03.06
 
 
 
 
 
 

domingo, 13 de setembro de 2009



A Lição de Poesia


Vasko Popa



Estamos sentados num banco todo branco
Sob o busto de Lenau
Abraçamo-nos
E entre dois beijos falamos
De poesia
Falamos de poesia
E entre dois versos abraçamo-nos
O poeta olha para longe através de nós
Através do banco branco
Através do saibro da alameda
Ele cala magnificamente
Os seus belos lábios de bronze
No jardim público de Verchatz
Aprendi pouco a pouco
O que é essencial num poema.
 
 

 
 

sábado, 5 de setembro de 2009




Não acho mais a minha casa



Aquele pardieiro de cal branca num cerro de eucaliptos
que o verde dos campos influenciavam no somatório do lugarejo.

Os montes roçavam as ribeiras que suavam absorvendo e dando sal por entre pinhais de resina e teatros faustos de trigais.
Não oiço mais
a troça das lavadeiras
nos tanques que cheiravam a alfazema.
As línguas de sujidade entremeada
de amizade
sensualidade
e ódio.
Cada uma lavando a roupa já lavada
todas lavando a suja.
Eram mães de roupa!

II

Não acho mais a casa dos sonhos de criança
não sei a cor do telhado.
Apenas me lembro dos muros.
Na parede magnificente
a bicicleta do pai
que prefigurava o trono.
De patriarca e rei.
Aquele que circulava mais longe que os olhos alcançavam, numa experiência de navegador de caminhos caseiros.
Que exaltava os pés castos
sem biografia
de criança, pés de carne e pedra.
Olhos de libélula
que cintilavam mais rápido que o génio imaginava.
Olhos de fantasia
que cresciam como o evento dos batráquios.
Olhos de cor
que nem o sol cativava
tanta fulgência.

Cores de mil arco-íris que ressoavam para os ouvidos
onde vozeavam cantatas de grilos.
Que palhas subtis extraiam do buraco
e espalhavam ma mão aberta.

III

Escutar o tenor vestido de preto de gala
com antenas delicadas
sintonizadas com a natureza.

IV

Não escuto mais o assobio do pai
aquela mensagem
que não aturava ouvidos falsos.

Onda que ia além do som da rádio tradicional
e me alcançava no coveiro figadal dos sonhos que construía
com folhas de espiga
e barbas de milho.

Outros sons que ignorava
e alguma roupa branca que adorava ver secar
no sol de oiro.

Era a minha casa em tempos de criança.


Theófilo de Amarante 



imagem: nuno chaves













Junto destroços de palavras, arranho meu ser - estático e impactado com os cacos - até abri-lo e deixar-me entornar, inteira, escrita de mar.




Sonia Regina



[asteriscos 2 - In: suspiro de ébano]





sexta-feira, 4 de setembro de 2009

asteriscos 1





A arte está no discurso e no ato, na prática e na memória: como um relato do tato.
Sonia Regina



[In: como um relato do tato]
 

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